sábado, 16 de julho de 2016

Emagrecer é difícil

Sim. Emagrecer é difícil.
Não se trata só de mudanças de hábitos, é uma mudança muito mais profunda que só entendem quem passa ou passou por problemas de sobrepeso. Não dá pra generalizar e dizer que gordo é preguiçoso (como eu já ouvi), que falta força de vontade etc.
O buraco é muito mais embaixo.
Não depende só de força de vontade e tem muito mais coisas envolvidas do que só fazer dieta e exercícios.
Quem acompanha o blog ou que me conhece pessoalmente sabe que iniciei uma dieta bem drástica e restritiva para emagrecer, dieta essa essa que consegui manter por oito longos meses e que me desgastou e estressou. Porém, ao desistir da dieta por estar sofrendo social e emocionalmente, eu recuperei em um ano todos os 15 kg emagrecidos.
Com 86 kg resolvi que ia tentar de novo, mas dessa vez com outra nutricionista. Meu efeito sanfona trouxe outro problema: flacidez, principalmente da barriga. Pois é, com 38 me vi com excesso de gordura abdominal e flacidez.
Outro problema emocional. Mais ansiedade e depressão.

Ao folear revistas, assistir tv, e cinema sinto-me mais feia e inútil ainda. É como se só pessoas magérrimas e lindas, com pele e cabelo perfeitos pudessem ser felizes. Isso é outro empecilho pra quem quer emagrecer. Não se trata apenas de tentar emagrecer por causa da saúde ou porque você não se sente bem com seu corpo, com esse tiroteio de imagens impossíveis nós passamos a odiar nossos corpos, mas não por nós e sim por uma ideia insana de que precisamos seguir esse padrão. Emagrecer logo, linda e feliz comendo alface.

É sério?
Impossível.

Qualquer pessoa que goste de comer bem vai sofrer com as restrições das maiorias das dietas e aí entramos no temido e destruidor efeito sanfona, engorda/ emagrece, emagrece/ engorda, que causa flacidez, depressão, ansiedade e pode levar a outros distúrbios alimentares como bulimia ou anorexia, males que não afetam somente garotas jovens, também atingem pessoas de meia idade e homens.

Por isso é tão importante fechar olhos e ouvidos para esteriótipos impossíveis e irreais. não enlouqueça. É possível ser útil, linda e feliz mesmo se você não pesar 50 kg.

Vou tentar de novo!


Luta

Ando meio cansada da luta.
Cansada da luta profissional com muitos problemas e desafios e baixo salário, sem incentivo para estudar nem para iniciar novos projetos pedagógicos. Cansada das lutas diárias que enfrentamos sem armas. Cansada de lutar contra um sistema injusto, racista e machista, onde uma mulher como eu só tem valor se tiver marido, filhos e casa pra limpar. Cansada de lutar por mudanças políticas para que consigamos viver e não somente sobreviver. Cansada de lutar pelo córrego Cobertinho e por outros córregos da cidade sabendo e que as soluções encontradas não são adequadas e só acontecem a toque de caixa, nunca para o bem do ambiente e da população. Cansada de lutar por uma educação de qualidade para alunos, professores e sociedade.
Mas, esse cansaço não me faz temer as injustiças nem as perseguições, muito menos, me faz calar nem parar de lutar. O cansaço me impulsiona.
Estou pronta para uma nova jornada, pronta para novas lutas e batalhas.
Espero contar com ajuda de amigos, alunos e conhecidos que compactuam das minhas idéias.
Um abraço dos meus braços cansados, mas que não desistiram!

sábado, 4 de junho de 2016

O Cordel Estradeiro, de Cordel Do Fogo Encantado



A bença Manoel Chudu
O meu cordel estradeiro
Vem lhe pedir permissão
Pra se tornar verdadeiro

Pra se tornar mensageiro
Da força do teu trovão
E as asas da tanajura
Fazer voar o sertão

Meu moxotó coroado
De xiquexique facheiro
Onde a cascavel cochila
Na boca do cangaceiro

Eu também sou cangaceiro
E o meu cordel estradeiro
É cascavel poderosa
É chuva que cai maneira
Aguando a terra quente
Erguendo um véu de poeira
Deixando a tarde cheirosa

É planta que cobre o chão
Na primeira trovoada
A noite que desce fria
Depois da tarde molhada

É seca desesperada
Rasgando o bucho do chão

É inverno e é verão

É canção de lavadeira
Peixeira de Lampião
As luzes do vaga-lume
Alpendre de casarão
A cuia do velho cego
Terreiro de amarração
O ramo da rezadeira
O banzo de fim de feira
Janela de caminhão

Vocês que estão no palácio
Venham ouvir meu pobre pinho
Não tem o cheiro do vinho
Das uvas frescas do Lácio
Mas tem a cor de Inácio
Da serra da Catingueira
Um cantador de primeira
Que nunca foi numa escola*

Pois meu verso é feito a foice
Do cassaco cortar cana
Sendo de cima pra baixo
Tanto corta como espana
Sendo de baixo pra cima

Voa do cabo e se dana**

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Site recomendado

http://umbandamaeiemanja.wix.com/mirassolceumi


Comunhão com o Planeta


A Umbanda é uma religião que estabelece muitas ligações com o planeta e o cosmo através dos Orixás, sendo assim, é correto afirmar que a Umbanda comunga o sagrado com o natural. Porém, no dia a dia de umbandistas e também de outros religiosos que comungam com a natureza como o Candomblé, Wicca, Daime e outras, acabam esbarrando em inversões comerciais que, sem notar, degradam a natureza.
            Trata-se do uso de cristais, pedras, metais que são abundantemente retirados da terra e que não vão se regenerar. Precisamos nos atentar para o uso consciente destes produtos para que nossa religião não estimule este comércio. Tais produtos foram formados durante milhares de anos na formação do nosso planeta e não há como criar cristais, por exemplo, seria necessário um processo lento e longo, em baixa pressão e altas temperaturas. Hoje, isso não acontece mais. Assim como também é impossível produzir alumínio, cobre ou mesmo petróleo. Quando acabar, acabou!
            A terra, a árvore tem a mesma energia cósmica de um cristal. Você pode sentar-se sobre uma árvore ou pisar no chão de terra e comungar com seus Orixás do mesmo modo como carrega um cristal no pescoço, talvez comungue até de forma mais intensa pelos elementos ainda estarem ligados à terra.
            Precisamos ser menos consumistas, pensar mais no SER e menos no TER. Nossa religião é uma religião natural e devemos praticá-la causando o mínimo impacto possível em todos os sentidos, não somente quando fazemos uma oferenda e colocamos folhas naturais ao invés de tecidos, papéis e plásticos, mas também no nosso modo de vida, procurando produtos com menos agressão ambiental para consumir no dia-a-dia.
            Só temos um planeta Terra. Sagrado e cheio de energia. Basta saber aproveitar bem!


Saravá.

Kelly Cristina da Silva de Oliveira

Umbanda Verde: Início de Ano (postagem atrasada)

Janeiro de 2016, quem diria, chegou e nos pegamos fazendo planos pra coisas novas ou pra resolver velhos problemas. Lembrando que este ano é regido por Oxalá e Iemanjá e, portanto, ano de muitas mudanças, ano voltado para a fé e para a ação desta fé. Para começar o ano eu volto a fazer as duas perguntas que fiz no último mês de 2015: O que você fará esse ano pela sua vida neste planeta? Como você trata o seu ambiente? São perguntas simples, mas que trazem grandes reflexões e até grandes ações para aqueles que realmente praticam a umbanda em seus corações e ações. Volto a repetir e farei isso quantas vezes for necessário: a umbanda é religião de caridade extremamente ligada à natureza e jamais deve ser praticada prejudicando o meio ambiente.
            Janeiro é mês de Oxóssi, Orixá de fator expansor que atua sobre o raciocínio dos seres, que trabalha na irradiação do conhecimento junto com Obá. E os dois juntos são da onda geradora vegetal. Neste mês costuma-se fazer trabalhos e oferendas nas matas para Oxóssi, Obá e seus caboclos e venho contar uma história narrada por uma cambone de um acontecido em trabalho numa mata. Ela relatou que o Caboclo Folha Verde, já incorporado, abraçava as árvores e chorava, dizendo que as pessoas estavam destruindo tudo e que logo eles não teriam mais de onde tirar energia e que o mundo ia sofrer muito mais, ele não quis acender nenhuma vela, pois preferia plantar árvores. Se você ainda não se convenceu que os guias e Orixás não querem oferendas que poluam ou prejudiquem o ambiente de qualquer forma, Caboclo Folha Verde pode te orientar.
            Oferendas para Oxóssi ou pra qualquer Orixá feito em matas ou mesmo em encruzilhadas podem ser retirados ritualmente, sem prejudicar a energia do trabalho nem o ambiente em que se encontra. Consulte o seu Baba, ele deve conhecer rituais de retirada e recolhimento. “Precisamos nos lembrar que a Umbanda já é muito mal vista por causar “sujeira” em praias, esquinas ou matas, além de outros preconceitos que não vou abordar aqui. Podemos sim encontrar meios de deixar a Umbanda mais VERDE de verdade, combinando com a energia dos Orixás. Lembrando que as entidades não comem as comidas que oferecemos e sim se beneficiam das energias dos elementos que oferecemos. ” 1
            Para saudar 2016, Oxalá, Janeiro e Oxóssi porque você não planta uma árvore? Há dezenas de parques e praças, córregos e rios que precisam de mais verde. Será uma ótima oferenda.
            Feliz Ano Novo.
Kelly C. S. de Oliveira


Fonte: 1. http://umbandaeucurto.com/umbanda-eu-curto/2014/cotidiano/a-relacao-entre-natureza-oferendas-entregas-e-despachos/#.VovNS_krLIV