terça-feira, 29 de novembro de 2011

... e em São José do Rio Preto...

Hoje levantei mais cedo pra terminar minha tarefa da pós-graduação, depois de terminar fui dar uma olhada em meus e-mails e entre uma piada e uma mensagem de natal estava o artigo de Luciano Alvarenga sobre a NOVA notícia de corrupção em SJRP... Bem, como eu acompanho o movimento #vergonhariopreto pela internet, já sabia da novidade, mas as palavras de Alvarenga são sempre boas de serem citadas:


"O caso de Rio Preto é assustador. Primeiro por que não passa mês sem que novos casos surjam. Agora o homem forte do prefeito Valdomiro Lopes emerge de um esquema que envolve políticos e empresários. Estou certo de que a corrupção é o fruto podre da árvore da felicidade material. Uma sociedade que cultiva ter mais do que ser, e embora tal afirmação seja quase ridícula num mundo corrompido pela imagem das coisas, o fato é este mesmo.
Tenha, não seja. Corrompa, não trabalhe. Pareça, não faça. Finja, não acredite. Minta, não realize. Entorpeça, não seja são. É tudo imagem. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço."

www.lucianoalvarenga.com.br
lucianoalvarenga.blogspot.com

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ahhh tá...

O nome do blog é por causa da música do Chico Buarque... Simmmm

Amo Chico!

... e por falar em Consciência Negra...

Canto das Três Raças
Clara Nunes

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor

Composição: Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Vinícius de Moraes

Esse é meu poema preferido do Vinícius de Moraes... amo todo o livro que ganhei da Ri... Antologia Poética...

Balada do morto vivo
Tatiana, hoje vou contar
O caso do Inglês espírito
Ou melhor: do morto vivo.

Diz que mesmo sucedeu
E a dona protagonista
Se quiser pode ser vista
No hospício mais relativo
Ao sítio onde isso se deu.

Diz também que é muito raro
Que por mais cético o ouvinte
Não passe uma noite em claro:
Sendo assim, por conseguinte
Se quiser diga que eu paro.

Se achar que é mentira minha
Olhe só para essa pele
Feito pele de galinha...

Dou início: foi nos faustos
Da borracha do Amazonas.
Às margens do Rio Negro
Sobre uma balsa habitável
Um dia um casal surgiu
Ela chamada Lunalva
Formosa mulher de cor
Ele por alcunha Bill
Um Inglês comercial
Agente da "Rubber Co."

Mas o fato é que talvez
Por ter nascido na Escócia
E ser portanto escocês
Ninguém de Bill o chamava
Com exceção de Lunalva
Mas simplesmente de Inglês.

Toda manhã que Deus dava
Lunalva com muito amor
Fazia um café bem quente
Depois o Inglês acordava
E o homem saía contente
Fumegando o seu cachimbo
Na sua lancha a vapor.

Toda a manhã que Deus dava.

Somente com o sol-das-almas
O Inglês à casa voltava.

Que coisa engraçada: espia
Como só de pensar nisso
Meu cabelo se arrepia...

Um dia o Inglês não voltou.

A janta posta, Lunalva
Até o cerne da noite
Em pé na porta esperou.

Uma eu lhe digo, Tatiana:
A lua tinha enloucado
Nesse dia da semana...
Era uma lua tão alva
Era uma lua tão fria
Que até mais frio fazia
No coração de Lunalva.
No rio negroluzente
As árvores balouçantes
Pareciam que falavam
Com seus ramos tateantes
Tatiana, do incidente.

Um constante balbucio
Como o de alguém muito
em mágoa
Parecia
vir do rio.

Lunalva, num desvario
Não tirava os olhos da água.

Às vezes, dos igapós
Subia o berro animal
De algum jacaré feroz
Praticando o amor carnal
Depois caía o silêncio...

E então voltava o cochicho
Da floresta, entrecortado
Pelo rir mal-assombrado
De algum mocho excomungado
Ou pelo uivo de algum bicho.
Na porta
em luzcancarada
Só Lunalva
lunalvada.

Súbito, ó Deus justiceiro!
Que é esse estranho ruído?
Que é esse escuro rumor?
Será um sapo-ferreiro
Ou é o moço meu marido
Na sua lancha a vapor?

Na treva sonda Lunalva...
Graças, meu Pai! Graças mil!
Aquele vulto... era o Bill
A lancha... era a Arimedalva!

"Ah, meu senhor, que desejo
De rever-te em casa
em paz...
Que
frio que está teu beijo!
Que pálido, amor, que estás!"

Efetivamente o Bill
Talvez devido à friagem
Que crepitava do rio
Voltara dessa viagem
Muito branco e muito frio.

"Tenho nada, minha nega
Senão fome e amor ardente
Dá-me um trago de aguardente
Traz o pão, passa manteiga!
E aproveitando do ensejo
Me apaga esse lampião
Estou morrendo de desejo
Amemos na escuridão!"

Embora estranhando um pouco
A atitude do marido
Lunalva tira o vestido
Semilouca de paixão.

Tatiana, naquele instante
Deitada naquela cama
Lunalva se surpreendeu
Não foi mulher, foi amante
Agiu que nem mulher-dama
Tudo o que tinha lhe deu.

No outro dia, manhãzinha
Acordando estremunhada
Lunalva soltou risada
Ao ver que não estava o Bill.

Muito Lunalva se riu
Vendo a mesa por tirar.

Indo se mirar ao espelho
Lunalva mal pôde andar
De fraqueza no joelho.

E que olhos pisados tinha!

Não rias, pobre Lunalva
Não rias, morena flor
Que a tua agora alegria
Traz a semente do horror!

Eis senão quando, no rio
Um barulho de motor.

À porta Lunalva voa
A tempo de ver chegando
Um bando de montarias
E uns cabras dentro remando
Tudo isso acompanhando
A lancha a vapor do Bill
Com um corpo estirado à proa.

Tatiana, põe só a mão:
Escuta como dispara
De medo o meu coração.

E frente da balsa pára
A lancha com o corpo
em cima
Os
caboclos se descobrem
Lunalva que se aproxima
Levanta o pano, olha a cara
E dá um medonho grito.

"Meu Deus, o meu Bill morreu!
Por favor me diga, mestre
O que foi que aconteceu?"

E o mestre contou contado:
O Inglês caíra no rio
Tinha morrido afogado.

Quando foi?... ontem de tarde.

Diz – que ninguém esqueceu
A gargalhada de louca
Que a pobre Lunalva deu.

Isso não é nada, Tatiana:
Ao cabo de nove luas
Um filho varão nasceu.

O filho que ela pariu
Diz-que, Tatiana, diz-que era
A cara escrita do Bill:

A cara escrita e escarrada...

Diz-que até hoje se escuta
O riso da louca insana
No hospício, de madrugada.

É o que lhe digo, Tatiana...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fórum Internacional de Educação , 26 e 27 de Outubro de 2011

Reflexões: Fórum Internacional de Educação, região de SJRP

Bom dia! Fui no Fórum Internacional de Educação, fiquei chocada com as falas de Guillermo Scherping Villegas sobre a educação chilena. Temos que saber e aprender: educação padronizada e quantitativa não funciona! Quero levar exemplos de nossa política educacional... Rotatividade de professores acaba com o país!

Edson Carmo Inforsato... Foi perfeito!!! Falta valorização e auto valorização do professor!

Educação uruguaia conseguiu inserir tecnologia com qualidade e competência!
Quando a SME de SJRP irá seguir o exemplo do Uruguai?

A avaliação escolar ainda continua sendo focada no conhecimento e não no que a gente faz com o conhecimento. Walter Vicione Gonçalves

Falta ter um notebook para cada professor... capacitação pra usar a lousa digital! As práticas apresentadas são ótimas mas ainda falta vontade do poder publíco em transformar a sociedade!
Acho que já passou da hora de transferir os problemas da educação riopretense para o professor. Não adianta ter lousa digital sem uso e sala de informática com computadores em quantidade insuficiente e/ou quebrados e sem uso... Diversos fatores atrapalham o trabalho do professor!

"Sem professor de qualidade não há educação de qualidade. É necessário investir no professor" João Cardoso Palma Filho